Alfredo Pereira Gomes

Alfredo Pereira Gomes nasceu a 18 de Janeiro de 1919 em Espinho. Fez parte de uma geração de matemáticos composta por nomes como Bento de Jesus Caraça, Ruy Luís Gomes e António Aniceto Monteiro, de quem foi orientando. Concluiu a licenciatura e o Doutoramento na Universidade do Porto, onde iniciou a sua carreira de professor.

Era professor assistente em 1947, quando foi surpreendido pela expulsão de diversos intelectuais – entre os quais quase uma geração inteira de matemáticos – das universidades portuguesas, orquestrada pelo regime salazarista. Impedido de trabalhar, viu-se obrigado a partir para França, onde permaneceu até 1953.

A convite do reitor da então Universidade do Recife, partiu para o Brasil, onde fundou o Instituto de Física e Matemática (IFM). No IFM, recebeu matemáticos de renome, como os medalha Fields Laurent Schwartz e Alexander Grothendieck, e acolheu diversos matemáticos portugueses, como ele impedidos de prosseguir as suas carreiras no país. Com isso, criou no estado de Pernambuco aquilo a que o matemático brasileiro Leopoldo Nachbin chamava “a melhor escola portuguesa de Matemática do mundo”. O trabalho desenvolvido nesse período foi alvo de uma homenagem em 1997, durante o II Encontro Luso-Brasileiro de História da Matemática, em São Paulo.

No início da década de 1960, aceitou um convite de Jean Delsarte, Doyen da Faculdade de Ciências da Universidade de Nancy, para lá ocupar um posto de professor durante um ano. A instauração da ditadura militar no Brasil, no entanto, fez com que permanecesse em França, como professor da Universidade de Nancy, por mais tempo do que o inicialmente previsto.

Em 1972, regressou a Portugal, onde participou na reactivação da Sociedade Portuguesa de Matemática, de onde se tornou sócio honorário, e foi o responsável pela reabilitação da Portugaliæ Mathematica. Pereira Gomes, irmão dos escritores Alice Gomes e Soeiro Pereira Gomes, faleceu no dia 29 de novembro de 2006, no hospital Curry Cabral.