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"Com Peso e Medida" é
um espaço para ser desenvolvido não por um matemático, mas por um
médico. Mas o que é que a matemática tem a ver com a medicina? Sabia que
a terminologia "Série de Lesões" tem a ver com a matemática? Pelo menos
é uma expressão muito usada nos domínios hospitalares. Nos Estados
Unidos da América muitos profissionais da medicina têm tido a
necessidade de tirar um segundo curso, nada mais nada menos que o curso
de Matemática.
Fernando Silva - Médico. Especialista em Ortopedia. Mestrado em Medicina Desportiva
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A articulação do ombro é a mais móvel do corpo. A mobilidade acarreta o risco de instabilidade.
A estabilidade é conseguida á custa da simbiose entre restritores estáticos e equilibradores dinâmicos. Existe até uma imagem que compara o equilíbrio do ombro ao de uma foca a equilibrar uma bola no seu nariz.
A instabilidade pode revelar-se após um traumatismo que lese um ou mais restritores, ou porque os tecidos não se formaram convenientemente durante o crescimento, ou porque são sujeitos a carga repetida com deformação plástica.
Pode ainda ser facilitada por desequilíbrios musculares associadas a atitudes posturais crónicas, por exemplo, em flexão do tronco e trabalho dos membros superiores em frente do tronco.
Por norma mais do que uma causa está envolvida e quanto mais nova é a pessoa maior é o risco de progressão para instabilidade crónica com lesão articular e impotência funcional progressivas.
A identificação do mecanismo de falência nem sempre é imediata e é necessário grande acuidade no exame físico e estudo complementar, que por norma envolve o estudo ósseo por Rx e das partes moles (músculos, ligamentos, capsula,…) por ressonância.
Em termos práticos e profiláticos podemos cuidar bem dos nossos restritores dinâmicos com posturas adequadas e fortalecimento muscular, pois os restritores dinâmicos protegem os estáticos. Gestos como levar os braços para “trás das costas”, mover as omoplatas “para trás” ou muscular o dorso (“dorsais”) entre muitos outros, podem ajudar.
Uma palavra final para o tratamento cirúrgico destas lesões em que as técnicas artroscópicas sempre em franca evolução trouxeram uma franca mais-valia em termos de alta eficácia versus baixa invisibilidade apesar da longa curva de aprendizagem que acarretam.