Exames de Matemática 12.º ano em 2018

A Sociedade Portuguesa de Matemática manifesta a sua extrema preocupação com as inesperadas alterações aos referenciais dos exames e das provas de aferição acabadas de ser promovidas pelo Ministério da Educação, em vésperas do início do ano letivo, com impacto tanto sobre as matérias que serão lecionadas no decorrer do ano que agora se inicia como também sobre aquelas que foram trabalhadas em anos anteriores.

Estas alterações, que abrangem o Exame Nacional de Matemática A (12.º ano) e a Prova de Aferição do 5.º ano, não fazem justiça ao esforço que os professores desenvolveram ao longo dos últimos anos e em nada apoiam o seu trabalho no presente ano letivo.

Adicionalmente, bem mais grave é o facto de prejudicarem a aprendizagem dos alunos que têm seguido um percurso regular, ou seja, a larga maioria dos alunos.

No que diz respeito aos alunos do 12.º ano e quanto aos tópicos nominalmente comuns aos dois programas (aquele que a grande maioria dos alunos seguiu ao longo de todo o Ensino Secundário e outro programa fortemente distinto e que apenas foi aplicado ao reduzido número de alunos que se atrasaram no seu percurso escolar), o Ministério pretende que os critérios de avaliação acomodem uma hipotética intersecção (difusa em virtude das diferenças de paradigma) das diferentes perspetivas e graus de profundidade com que esses tópicos foram lecionados. O facto de também se prever a avaliação, com questões em alternativa, das matérias não comuns aos dois programas pressupõe que haja turmas separadas para os dois grupos de alunos, já que será irrealista supor que em turmas comuns seja possível lecionar ao longo do 12º ano todas essas matérias; no entanto nada foi previsto nesse sentido.

Por outro lado, no que diz respeito aos alunos do 5.º ano, o Ministério pretende aferir a aprendizagem dos alunos que integram turmas regulares a partir de apenas uma parte do referencial destinado àqueles que súbita e improvisadamente iniciam um percurso experimental, nomeadamente os documentos divulgados no passado mês de Agosto relativos as chamadas “Aprendizagens Essenciais”, que já mereceram uma reprovação pública por parte da SPM devido ao caráter extremamente vago e redutor de que se revestem, mesmo em relação às matérias que nominalmente retiveram dos programas em vigor.

No caso dos alunos do 12.º ano, a decisão de realizar no final do ano letivo em curso um exame único não poderá deixar de ter consequências gravosas tanto para alunos e professores como para as respetivas escolas, sem esquecer as repercussões que afetarão o concurso de acesso ao Ensino Superior do próximo ano.

No caso dos alunos do 5.ºano, o que aparecia como uma experiência pedagógica limitada surge agora, subitamente e sem qualquer enquadramento, como um fator que tende a restringir gravemente o desenvolvimento cognitivo matemático de todos os alunos.

Depois dos bons resultados alcançados em matemática, tanto nas avaliações internacionais como nos exames nacionais realizados com os novos Programas e Metas Curriculares, estas alterações constituem-se como um grande retrocesso.

Este retrocesso promove menor conhecimento, menor exigência, menor desenvolvimento de capacidades. O que a SPM considera necessário é continuar o progresso no sentido do domínio do conhecimento e da preparação cuidada dos nossos jovens.

No Parecer abaixo apresentado, a SPM explicita e explica os diversos problemas criados pelas decisões do ME que levaram a esta tomada de posição, colocando-se mais uma vez à disposição da tutela para contribuir positivamente na procura de uma melhor solução.

Consulte o parecer em http://www.spm.pt/news/2717.



Publicado/editado: 08/09/2017