A Gestão faz parte do nosso dia a dia, seja no trabalho, no ensino, ou em nossa casa, em cada atividade praticamos a gestão, procurando afetar os recursos adequados e mínimos para realizar com sucesso uma determinada tarefa. A matemática trouxe enormes contributos à gestão permitindo criar técnicas de planeamento e controlo na utilização dos recursos. Nesta rubrica iremos procurar trazer situações conexas com esta “Linha” que une Gestão à Matemática.

 Vasco Pinho -  Auditor da Autoridade Tributária e Aduaneira; Vereador independente na Câmara Municipal de Matosinhos; Formador, na área da Gestão, em diversos cursos de formação contínua e de Pós-graduação na FPCEUP e na Universidade do Porto.


Artigo de Março  


Título: Euribor, a taxa que mexe nas nossas vidas


De que forma é que os números e as percentagens influenciam as nossas vidas?


É uma questão interessante e que nos põe a pensar sobre os números e as muitas taxas que diariamente nos captam a atenção, seja num jornal, num folheto de publicidade ou na televisão, nomeadamente, as percentagens de desconto em compra de produtos com poupanças de 50% em talões, os números dos valores dos aumentos dos combustíveis, ou simplesmente a montra de uma loja que anuncia as percentagens de reduções de preços nos saldos.


Uma das muitas taxas que constantemente nos capta a atenção, seja através dos media, de publicidade, ou mesmo no nosso banco, é a taxa Euribor.


As taxas Euribor são percentagens, fixadas pela média das taxas, às quais um conjunto de bancos europeus está disposto a emprestar dinheiro no mercado interbancário, ou seja, a outros bancos. Por outras palavras, a Euribor é considerada como o preço de compra que um banco paga para empréstimos a curto prazo.


Estas taxas influenciam as nossas vidas em vários aspetos, nomeadamente, no caso da generalidade dos empréstimos que obtemos junto das instituições bancárias, as condições de empréstimo têm por base o nosso pagamento, do valor correspondente indexado à taxa Euribor, acrescido de uma determinada percentagem, denominada spread, que consiste, aproximadamente, no ganho que o banco tem ao nos ceder o dinheiro, face ao preço que paga para o obter junto das outras instituições bancárias.


Por outro lado, as instituições bancárias necessitam de financiamento para além do que obtêm junto de outros bancos, nomeadamente procurando captar o nosso dinheiro enquanto meros clientes individuais, através da oferta de contas poupança ou de depósitos a prazo, entre outros produtos similares. Alguém que efetue um depósito a prazo, para além de poupar o seu dinheiro, está, simultaneamente, a realizar um empréstimo ao banco. Normalmente, a taxa de compensação neste tipo de depósitos a prazo ou contas poupança está direta ou indiretamente associada à Euribor.


Atualmente as taxas Euribor encontram-se em queda há já pelo menos 66 sessões consecutivas, existindo várias maturidades para este indexante interbancário, que vão desde uma semana a doze meses, sendo as mais usuais a três, seis, nove e doze meses.


Neste momento de queda acentuada das taxas Euribor, situação a que naturalmente não é alheia a presente crise económica financeira, a taxa é tanto menor quanto menor for a sua maturidade, por exemplo, uma taxa de três meses está associada a uma percentagem de 0,817%, enquanto que uma taxa Euribor de 12 meses está associada a uma percentagem de 1,455%.


Com isto ganham todos aqueles que tenham empréstimos bancários indexados à taxa Euribor, como por exemplo o crédito à habitação, que irão ver a sua prestação descer de acordo com estas reduções. A título de exemplo, um crédito indexado à taxa Euribor a seis meses (a maturidade mais comum no crédito à habitação) pode ver a sua prestação mensal diminuir cerca de 24 euros.


Por outro lado, as remunerações oferecidas pelos bancos nas várias formas de poupança ou mesmo pelo Estado, por exemplo através dos certificados de aforro, irão diminuir em virtude destas descidas das taxas Euribor, o que se traduz numa perda de eventuais rendimentos para quem pretenda realizar poupanças.


Assim, a taxa Euribor acaba por afetar direta ou indiretamente a generalidade das pessoas, mesmo aqueles que não sabem o que representa esta taxa.


Publicado/editado: 22/03/2012