Com Peso e Medida por Fernando Silva


 


"Com Peso e Medida" é um espaço para ser desenvolvido não por um matemático, mas por um médico. Mas o que é que a matemática tem a ver com a medicina? Sabia que a terminologia "Série de Lesões" tem a ver com a matemática? Pelo menos é uma expressão muito usada nos domínios hospitalares. Nos Estados Unidos da América muitos profissionais da medicina têm tido a necessidade de tirar um segundo curso, nada mais nada menos que o curso de Matemática.


 Fernando Silva - Médico. Especialista em Ortopedia. Mestrado em Medicina Desportiva 


Artigo de Abril


Título: Instabilidade do ombro


A  articulação do ombro é a mais móvel do corpo. A mobilidade acarreta o risco de instabilidade.

A estabilidade é conseguida á custa da simbiose entre restritores estáticos e equilibradores dinâmicos. Existe até uma imagem que compara o equilíbrio do ombro ao de uma foca a equilibrar uma bola no seu nariz.

A instabilidade pode revelar-se após um traumatismo que lese um ou mais restritores, ou porque os tecidos não se formaram convenientemente durante o crescimento, ou porque são sujeitos a carga repetida com deformação plástica.

Pode ainda ser facilitada por desequilíbrios musculares associadas a atitudes posturais crónicas, por exemplo, em flexão do tronco e trabalho dos membros superiores em frente do tronco.

Por norma mais do que uma causa está envolvida e quanto mais nova é a pessoa maior é o risco de progressão para instabilidade crónica com lesão articular e impotência funcional progressivas.

A identificação do mecanismo de falência nem sempre é imediata e é necessário grande acuidade no exame físico e estudo complementar, que por norma envolve o estudo ósseo por Rx e das partes moles (músculos, ligamentos, capsula,…) por ressonância.

Em termos práticos e profiláticos podemos cuidar bem dos nossos restritores dinâmicos com posturas adequadas e fortalecimento muscular, pois os restritores dinâmicos protegem os estáticos. Gestos como levar os braços para “trás das costas”, mover as omoplatas “para trás” ou muscular o dorso (“dorsais”) entre muitos outros, podem ajudar.

Uma palavra final para o tratamento cirúrgico destas lesões em que as técnicas artroscópicas sempre em franca evolução trouxeram uma franca mais-valia em termos de alta eficácia versus baixa invisibilidade apesar da longa curva de aprendizagem que acarretam.

 



Artigos meses anteriores:

 

Artigo "Com Peso e Medida" de Março - "Intervalo de Confiança II"

 

Artigo "Com Peso e Medida" de Fevereiro - "Intervalo de Confiança I"

 

Artigo "Com Peso e Medida" de Janeiro - "O Iceberg ou a pirâmide submersa"

 
 

Artigo "Com Peso e Medida" de Novembro - "Atletismo Rendimento"

 

Artigo "Com Peso e Medida" de outubro - "Torres (Clindros) e Pirâmides I"


Artigo "Com Peso e Medida" de setembro - "Ano Novo, Vida Nova"


Artigo "Com Peso e Medida" de julho - "A Água"


Artigo "Com Peso e Medida" de junho - "As Histórias Não Escritas"


Artigo "Com Peso e Medida" de maio - "Recuperação e Módulo de Elasticidade"


Artigo "Com Peso e Medida" de abril - "Curvas de Sobrevivência"


Artigo "Com Peso e Medida" de março - "Contas , Pesos e Medidas"


Artigo "Com Peso e Medida" de Fevereiro - "A Lei das Séries II"


Artigo "Com Peso e Medida" de Janeiro - "A Lei das Séries I"

Publicado/editado: 03/04/2012