A Gestão faz parte do nosso dia a dia, seja no trabalho, no ensino, ou em nossa casa, em cada atividade praticamos a gestão, procurando afetar os recursos adequados e mínimos para realizar com sucesso uma determinada tarefa. A matemática trouxe enormes contributos à gestão permitindo criar técnicas de planeamento e controlo na utilização dos recursos. Nesta rubrica iremos procurar trazer situações conexas com esta “Linha” que une Gestão à Matemática.

 Vasco Pinho -  Auditor da Autoridade Tributária e Aduaneira; Vereador independente na Câmara Municipal de Matosinhos; Formador, na área da Gestão, em diversos cursos de formação contínua e de Pós-graduação na FPCEUP e na Universidade do Porto.


Artigo de Maio 


Título: Desemprego, a sua evolução e as suas "oportunidades"


A taxa de desemprego apurada pelo Instituto Nacional de Estatística está agora no nível mais elevado de sempre. Este fenómeno afecta actualmente, segundo as contas do INE, 14,9 por cento da população activa do país. Ou seja, há registo de 819,3 mil pessoas sem trabalho. Estes valores representam, nos últimos 10 anos, o triplicar da taxa de desemprego em Portugal.


Porém, esta evolução foi gradual, tendo-se acentuado especialmente nos últimos anos. Esta taxa de desemprego, que no primeiro trimestre de 2012 quase tocou os 15%, revela uma situação ainda mais assustadora, de uma taxa ‘real’ de quase 20%, ou seja, mais de um milhão de desempregados reais.


Apesar de se fazer sentir em todos os segmentos etários da população activa, a incidência da diminuição de empregos é particularmente acentuada entre os jovens dos 15 aos 24 anos, onde a taxa aumentou, neste caso, para 36,2 por cento, mais 8,4 pontos percentuais no espaço de um ano.


Assistimos na praça pública a uma troca de atribuições de responsabilidades, por um lado a Oposição responsabiliza o Governo pela evolução descontrolada do desemprego, por outro lado o Governo culpa os seus antecessores e a crise internacional, e há até quem culpe a “Troika”, e na verdade todos têm um pouco de razão, é que o modelo económico que existiu nos últimos trinta anos estava esgotado, e foi necessário recorrer ao financiamento internacional que determinou a implementação de um plano de grande severidade.


Naturalmente que o plano de austeridade e as diversas medidas de aumento de impostos e cortes na despesa têm resultados muito pesados na economia e, por consequência, no emprego.


A realidade é que a estrutura económica edificada nos últimos trinta anos teve a base em negócios, empresas e sectores sustentados artificialmente por um consumo interno apoiado num elevado endividamento. E quando o Governo e a Oposição afirmam que a economia portuguesa tem de mudar de vida, tem de mudar os incentivos, e destiná-los aos sectores positivos da economia, está também a dizer que uma parte significativa do mercado de trabalho vai ser destruído, e não vai regressar. É pois muito importante termos consciência que o mercado de trabalho que resultará desta crise será certamente mais dinâmico, onde a noção de “emprego para a vida” está completamente posta de parte, mesmo para quem trabalha para o Estado, onde já se fala inclusive de uma onda de acordos para rescisões “amigáveis”.


Urge assim encontrar soluções para um crescimento económico que galvanize a criação de emprego, já que a solução não pode passar apenas por recomendar, à geração mais habilitada de sempre do nosso país, que emigrem.


Terão que ser criadas condições para que as empresas, e não o Estado ou o Governo, porque esses não criam empregos, sejam capazes de absorver uma mão-de-obra que procura novas oportunidades de trabalho. Essas medidas poderão surgir talvez através do aumento das exportações, já que o mercado interno está estagnado, através do aumento acentuado dos incentivos fiscais para que as empresas recrutem desempregados, com especial atenção para os desempregados de longa duração, e também com medidas de estimulo para que aqueles que se encontram a receber o subsidio de desemprego possam acumular, ainda que apenas uma parte desse subsidio, enquanto aceitam empregos com contratos de trabalho de curta duração e assim retomem a sua presença activa no mercado de trabalho.


Gostaria de terminar esta crónica com uma observação positiva, porém, a verdade é que a única certeza que existe neste drama social, é que ele antes de melhorar, irá ainda piorar, já que de acordo com as previsões divulgadas pelo Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), as taxas de desemprego em Portugal irão continuar a bater recordes e atingirão os 16,2 por cento em 2013.




Artigo ao dia 23 de cada mês:


Artigo "Gestão em Linha" de Maio - Desemprego, a sua evolução e as suas "oportunidades" 


Artigo "Gestão em Linha" de Abril- Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) 


Artigo "Gestão em Linha" de Março - Euribor, a taxa que mexe nas nossas vidas



 

 



 

 
 


Publicado/editado: 23/05/2012