Apreensão de professores e alunos relativamente ao Exame de 12.ºano de Matemática A

A Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) tem vindo a manifestar grande apreensão sobre a aplicação de uma prova única de exame de Matemática A (12.º ano) a um universo de alunos que abrange dois programas – programa e Metas curriculares de Matemática A em vigor, homologado em 2013, e programa homologado em 2001 e 2002 – cujas diferenças dificilmente se compatibilizam.


A SPM em devido tempo elaborou pareceres (http://spm.pt/files/PARECER_EXAME_12o.pdf e http://www.spm.pt/news/2717) onde apontou as várias dificuldades técnicas, dificilmente ultrapassáveis, na concretização de um exame comum para alunos abrangidos pelo programa em vigor e para os que seguiram o programa anterior.
De facto, a elaboração de dois exames seria o que se esperaria, uma vez que as especificidades de cada programa impedem a elaboração de um referencial de avaliação comum capaz de garantir comparabilidade e equidade. Além disso, a decisão de um exame comum suscitaria, para além de inevitáveis problemas de natureza ética e técnica outros de natureza jurídica, uma vez que, legalmente, qualquer aluno está sujeito a um e apenas um referencial de avaliação, não podendo ser sequer aceitável que no último ano de um ciclo (de três anos) a avaliação vise outro referencial que não o que vigorou nos outros dois.


O Ministério da Educação, apesar de ter sido alertado para todos estes problemas, solicitou ao Instituto de Avaliação Educativa, I.P. no dia 23 de agosto, a realização em 2018 do exame único de matemática A (12.º ano) menosprezando, para a concretização da prova, o referencial em vigor – que é aquele com o qual os alunos já completaram o 10.º e o 11.º e terão durante o 12.º como referencial, visto que é o único programa em vigor.


Este problema foi agudizado com o facto de o ME não ter autorizado a constituição de turmas para os alunos abrangidos pelo programa anterior, sendo a lecionação da Matemática A, neste ano letivo, realizada com alunos de programas diferentes nas mesmas turmas. Apesar dos vários alertas de que os dois percursos são difíceis de compatibilizar no último ano do ensino secundário (por serem vários os conteúdos que não são trabalhados no mesmo ano, por existirem definições diferentes para um mesmo tópico e, também, por vários tópicos pertencerem apenas a um dos programas) o ME até à data nada alterou, esclareceu ou permitiu para colmatar as dificuldades que se anteveem. A realização da prova com o código 635, nos moldes definidos pelo Ministério da Educação, está, tal como era de prever, a gerar nos alunos e nos professores uma grande preocupação.


De facto, são imprevisíveis as características de uma prova comum a alunos de programas com profundas diferenças. Este facto inviabiliza naturalmente a estruturação de uma avaliação adequada a qualquer um dos grupos, o que põe em causa a fiabilidade da prova e a equidade entre os alunos. Recentemente, na comunicação social, foi publicada a informação de que nem uma prova modelo haverá.

O IAVE divulgou na sua página a Informação - Prova de exame final nacional do ensino secundário da disciplina de Matemática A.O conteúdo desta Informação - Prova levanta bastantes dúvidas e perplexidades, não esclarecendo professores e alunos tal como era expectável. Salienta-se que, ao serem criados itens em alternativa e um conjunto considerável de combinações de resolução, que terão de constar nos critérios de correção da prova, vai-se dificultar a existência de uma rigorosa e objetiva correção. De facto, uma das questões importantes a acautelar na correção das provas é a clareza, objetividade e funcionalidade dos critérios específicos de classificação. A existência de cenários de resposta capazes de integrar desempenhos resultantes da aprendizagem segundo referenciais (programas) diferentes faz-nos antever a impossibilidade de os conseguir enquadrar a resolução num determinado cenário numa grande parte da prova.

Os problemas identificados comprometem à partida a equidade na avaliação externa, com repercussões que afetarão o concurso de acesso ao Ensino Superior do próximo ano.


Por outro lado, poucos conteúdos são identificados como tendo sido lecionados de forma diferente, ou mesmo lecionados num programa e não no outro quando na verdade há muitos mais: tal como referimos no nosso parecer, esses são a maioria.

Na verdade, quando se esperava que, pelo menos, na concretização técnica da prova alguns aspetos fossem solucionados ou clarificados, tal não aconteceu. Pelo contrário, nesta Informação-Prova não está clarificado o que se encontrava difuso na carta de solicitação e acrescem outras determinações que, sem enquadramento, extravasam o solicitado e agudizam problemas de concretização, aplicação e correção da prova.

A SPM alerta assim para que importa colmatar os previsíveis danos, sendo para isso imprescindível criar com carácter de urgência orientações claras e coerentes, que evidenciem soluções técnicas compatíveis com os normativos legais e mobilizem professores e alunos para o trabalho que dá continuidade ao já realizado durante dois anos, permitindo continuar a dirigir os alunos para um percurso escolar de sucesso.

A SPM enviou recentemente ao Ministério da Educação e ao IAVE um parecer em que identifica com maior detalhe todos os problemas que enunciamos neste comunicado e que pode ser consultado na nossa página em https://www.spm.pt/news/2726.

Para mais informações, por favor, contactar:
Gabinete de Imprensa da SPM: Ana Figueiredo, 933478494, imprensa@spm.pt

 



Publicado/editado: 10/11/2017