Com Peso e Medida por Fernando Silva

Título: A lei das séries II


 


Quem trabalha uns anos nas urgências apercebe-se que em alguns dias há uma estranha repetição de determinado tipo de lesões que a seguir podem desaparecer por tempo indeterminado. Essa repetição vai tendo o nome (empírico) de “lei das séries” e deu em boa medida o mote a estes pequenos textos.

 

Usando uma curiosa extrapolação de incidência de lesões desportivas para os EUA, ocorrem em estimativa: 1,042,511 por ano, 86,875 por mês, 20,048 por semana, 2,856 por dia, 119 por hora, 1 por minuto, 0 por segundo.

 

Poderemos pensar que se planearmos a nossa época ao ano teremos uma taxa alta de lesões e se a planearmos ao segundo teremos uma taxa nula?

 

Certamente que não.

Mas… e se conseguíssemos fazer micro ajustamentos ponderados (ao segundo)?

 

Existe um curioso modelo matemático que nos pode ajudar: A lógica difusa ou lógica fuzzy, uma extensão da lógica booleana que admite valores lógicos intermediários entre o falso (0) e o verdadeiro (1) e que por isso pode ponderar variáveis a cada instante para tomada de decisões; por exemplo:

 

Momento “x”: treino de sprints: resistência é menos importante (valor lógico p. ex: 0,3), velocidade muito importante (valor lógico =1) e é importante que o atleta esteja recuperado (valor lógico p. ex: 0,8)

 

Se o atleta estiver “pouco resistente”, pode não ser muito importante; mas se acusar sinais de fadiga neste momento do treino isso já é muito relevante, podendo daqui resultar uma lesão.

 

E assim teremos o próximo desafio: poderemos controlar melhor uma série causal na prática desportiva, de forma a evitar lesões?

 

 

 

 

 

Publicado/editado: 03/02/2011