Com Peso e Medida com Fernando Silva


 


"Com Peso e Medida" é um espaço para ser desenvolvido não por um matemático, mas por um médico. Mas o que é que a matemática tem a ver com a medicina? Sabia que a terminologia "Série de Lesões" tem a ver com a matemática? Pelo menos é uma expressão muito usada nos domínios hospitalares. Nos Estados Unidos da América muitos profissionais da medicina têm tido a necessidade de tirar um segundo curso, nada mais nada menos que o curso de Matemática.


 Fernando Silva - Médico. Especialista em Ortopedia. Mestrado em Medicina Desportiva 


Título: Contas, pesos e medidas


Podemos analisar uma situação pela positiva ou pela negativa, tão bem representada na analogia de ver um “copo meio cheio” ou “meio vazio”.

A análise tão divergente do mesmo facto real faz-nos suspeitar de alguma inconsistência no nosso poder de análise, influenciado pelo nosso estado afectivo.

No limite podíamos ter duas pessoas com vidas exactamente iguais e uma estar muito feliz e outra muito infeliz.


Explorando esta divergência:


Na análise biomecânica da recepção ao solo durante a corrida, ocorrem forças sobre o membro inferior que podem ir de 2 a 3 vezes o peso corporal.

Se pensarmos num incremento médio de 2,5 vezes numa pessoa de 70 kg, o seu peso passa a representar 175kg.


O número de passos numa maratona é muito variável, dependendo das características pessoais e do grau de treino, sendo reportados valores tão variáveis como 25000 passos e 42200 passos. È até objecto de estudo no sentido de se encontrar “o passo ideal”.

Vamos supor um passo de 1,50m ao longo de 42195 m que representa cerca de 28130 passadas; então o nosso exemplo uma maratona representará um esforço acumulado de 175 kg 28130 vezes; ou seja uma carga acumulada de 4922750Kg.


Nada motivador…


Como não é boa ideia partir para uma corrida a “pensar num copo meio vazio”, vamos seguir o raciocínio do “copo meio cheio”:


A grande diferença entre a marcha e a corrida é que na corrida existe uma fase em que não há contacto com o solo. Sabe-se também que a primeira forma de aumentar a velocidade da corrida é o aumento do comprimento da passada, bem como um ganho na relação tempo de suspensão / tempo de apoio no solo.

Se pensarmos agora que 60% do tempo de corrida pode ser passado em suspensão, então das 3,5 horas que porventura vai demorar a nossa prova, 2h 6´ serão passados a planar em suspensão, o que torna finalmente tudo muito mais agradável.


Poderemos até ter aqui uma analogia com um dos sonhos mais antigos do Homem: voar, baixinho …mas voar.




Publicado/editado: 03/03/2011