Com Peso e Medida com Fernando Silva


 


"Com Peso e Medida" é um espaço para ser desenvolvido não por um matemático, mas por um médico. Mas o que é que a matemática tem a ver com a medicina? Sabia que a terminologia "Série de Lesões" tem a ver com a matemática? Pelo menos é uma expressão muito usada nos domínios hospitalares. Nos Estados Unidos da América muitos profissionais da medicina têm tido a necessidade de tirar um segundo curso, nada mais nada menos que o curso de Matemática.


 Fernando Silva - Médico. Especialista em Ortopedia. Mestrado em Medicina Desportiva 


Título: Curvas de Sobrevivência


Não tenho abordado lesões e doenças por que são penosas mas…

E quando o “copo está meio vazio” ou “mesmo vazio”?

 

O risco de doença ou traumatismo é constante. A morte de populações e também a perda de indivíduos saudáveis pode ser representada graficamente pelas curvas de sobrevivência.

 

A competência médica tenta interferir com a história natural das doenças e dos traumatismos para não abandonar os indivíduos á sua história natural (“á sua sorte”?). Os tratamentos instituídos são por isso comparados á história natural da doença e a tratamentos anteriores para avaliar se algum benefício existe em os realizar.

Trata-se mais de uma sabedoria que visa interferir directamente nas curvas de sobrevivência para se conseguir a inversão da espiral negativa, do que o simples fornecimento de um medicamento ou a indicação de um tratamento.

 

Um exemplo típico é a rotura do ligamento cruzado anterior do joelho, em que a lesão anatómica que vemos (p. ex. na ressonância magnética) se acompanha de fenómenos menos visíveis mas que são parte integrante da lesão: atrofia com disfunção muscular associada, disfunção da harmonia motora global, de competências psicológicas por alteração da percepção corporal e quebra de expectativas de performance, diminuição das competências musculo-esqueléticas e cardio-respiratórias globais por interrupção do plano de treino, …

 

Cada um desses aspectos deve ser particularmente cuidado.

 

A primeira fase trata de identificar a lesão e perceber de que forma ela é relevante na história natural da pessoa. A cirurgia está normalmente indicada em pessoas activas, de idade biológica jovem, quando existam sinais de instabilidade e necessidade de cargas física (p. ex. prática desportiva).

 

Uma técnica, não nova, mas relativamente recente é a correcção da rotura do ligamento cruzado anterior por artroscopia. Aqui se aliam a agressividade que representa o gesto cirúrgico com a precisão das incisões, furagens, manuseamento dos tecidos e fixações. Um exemplo pode ser visto em:


http://www.youtube.com/watch?v=6Kb7-Grv2xs

 

E para terminar de forma positiva, existe uma velha anedota que compara a cirurgia com o “reparar o motor de um carro sem o desligar, sem ter peças novas, sem o poder deixar desmontado e voltar no dia seguinte; e sem o poder trocar se algo correr muito mal…”.

Apesar disso, os tratamentos cirúrgicos têm-se desenvolvido vertiginosamente nas últimas décadas e muito embora não isentos de riscos, são um suporte inestimável á qualidade de vida dos nossos dias.

 

 

 

 

 

 

 

Publicado/editado: 03/04/2011