Com Peso e Medida por Fernando Silva

 


 


"Com Peso e Medida" é um espaço para ser desenvolvido não por um matemático, mas por um médico. Mas o que é que a matemática tem a ver com a medicina? Sabia que a terminologia "Série de Lesões" tem a ver com a matemática? Pelo menos é uma expressão muito usada nos domínios hospitalares. Nos Estados Unidos da América muitos profissionais da medicina têm tido a necessidade de tirar um segundo curso, nada mais nada menos que o curso de Matemática.


 Fernando Silva - Médico. Especialista em Ortopedia. Mestrado em Medicina Desportiva 


Título: A água


“Pergunta o filho á mãe: - é verdade que o Homem vem do pó e regressará ao pó?

Responde a mãe: sim…

- Então mãe, ou morreu alguém ou está para nascer alguém debaixo da cama…”


Na realidade, o Homem é constituído em cerca de 60% por água (variável com a idade e composição corporal) e portanto, na sua maioria, o Homem vem da água e na mesma linha de ideias regressará á água (líquida, sólida ou gasosa).


Interpretando as células como unidades funcionais, seremos uma construção de diminutas gotas de água (células) onde decorrem todos os processos orgânicos e assim somos falsamente terrestres pois andamos fora de água mas com tudo a passar-se no micro ambiente aquático celular (não se incluindo a capacidade de captação de O2, alimentos ou alguma utilização da radiação solar na síntese da vitamina D).

 

Uma espécie de liberdade de “offshore” em relação aos peixes.


Temos pois razões de fundo para nos preocupar com a quantidade de água no nosso corpo.

Numa estimativa média, perdemos cerca de 1,5 a 2 litros de água todos os dias (variável com as condições do ambiente e o exercício):

A maior quantidade é perdida pela urina e fezes, e em percentagem menor pela respiração e transpiração.


Se as perdas não forem repostas a pessoa entra num estado de desidratação que pode ser aguda (como nos dias de calor ou durante eventos desportivos) ou crónico (como frequentemente encontrado em idosos quando recorrem ao Hospital).


São conhecidos os sinais de desidratação aguda como alterações da função muscular ou da função cerebral (uma pequena perda chega para perturbar a capacidade de raciocínio).

Menos falados são os efeitos da desidratação crónica, com deterioração progressiva da função de órgãos como o rim ou o sistema músculo-esquelético. A absorção de nutrientes, a eliminação de resíduos, o controlo ácido-base tornam-se menos eficazes, conduzindo a um envelhecimento mais acelerado, bem visível ao nível da pele, cabelo e unhas.


Existem sinais clínicos e meios laboratoriais de avaliação da hidratação.

No entanto, existe um meio bem simples que, sem ser muito científico é sem dúvida prático: a cor da urina. Pelo menos uma vez ao dia a urina deve ser incolor.

Não se deve exagerar às refeições ou ao deitar, mas em jejum, no intervalo das refeições ou conjugando com o esforço físico (desporto ou trabalho), são óptimas oportunidades.

 

O adágio popular: “beber água faz criar rãs na barriga” neste caso não nos ajuda.


(NB: os casos de doença devem ser orientados pelo médico assistente).



Publicado/editado: 03/07/2011