Parecer sobre o Exame de Matemática A

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A Sociedade Portuguesa de Matemática considera não ter sido salvaguardado o interesse dos alunos por não terem sido elaboradas as duas provas que se impunham: uma para os alunos do atual programa e uma outra para os alunos repetentes, versando sobre o programa anterior. A SPM alertou em devido tempo para a inexequibilidade de uma prova única para ambos os grupos; é agora claro que a opção encontrada de apresentar itens em alternativa de acordo com cada um dos Programas, antigo ou novo, se mostrou claramente inadequada, até em termos de critérios de correção, sendo por vezes essencial conhecer a que programa esteve sujeito o aluno para se poder aferir da correção de uma dada resposta (por exemplo, a justificação da continuidade no item 12.2).


Apesar do consenso generalizado, entre os professores, para a necessidade e pertinência de provas modelo e/ou testes intermédios, o IAVE IP limitou-se a fornecer uma Informação Prova com contornos menos claros e que agora se verifica ter pouca correspondência com o exame. Como consequência desta inédita falta de informação, os alunos – tanto do novo programa como do antigo – foram hoje confrontados com uma prova que não traduz fielmente o trabalho realizado durante os três anos do Ensino Secundário. A tentativa de subordinar o enunciado a dois referenciais de avaliação distintos acabou por gerar itens desequilibrados, confusos e por vezes contraproducentes do ponto de vista pedagógico. É exemplo disso o item 4, em que se pede textualmente aos alunos para «não justificar a validade do resultado obtido na calculadora», antítese do método científico e da boa utilização da tecnologia, que deve ser sempre acompanhada de espírito crítico.


Embora as opções estivessem identificadas com o respetivo referencial (Programa), muitos alunos foram naturalmente tentados a analisar ambas as questões dadas em alternativa, pelo que estes itens acabaram também por funcionar como focos de distração. Recorde-se, a este propósito, que o Ministério da Educação não permitiu a criação de turmas separadas consoante o Programa, prejudicando ambos os grupos de alunos.


No geral, esta prova não se adequa a nenhum dos dois programas nem tão pouco coloca todos os alunos em pé de igualdade. Por exemplo, no item 10, os alunos do antigo programa poderiam responder a qualquer uma das alternativas apresentadas, ao passo que o novo programa apenas contempla uma delas. Curiosamente, foram os argumentos da equidade e da comparabilidade os avançados pelo Ministério da Educação para justificar a realização de uma única prova.


Em termos de substância, a prova é extensa e trabalhosa, gerando-se assim uma maior complexidade relativamente a edições anteriores. Por outro lado, a vertente calculatória do tema de funções, muito trabalhada por todos os alunos, é abordada de forma extremamente superficial.


Em conclusão, a SPM lamenta a situação criada para milhares de alunos e respetivos professores que, desta forma, não veem devidamente valorizados o trabalho e o esforço desenvolvidos durante três anos, tendo-se assim criado uma situação de incerteza e potencial injustiça em relação ao acesso ao Ensino Superior.
 

Publicado/editado: 25/06/2018