Parecer sobre as «Recomendações para a melhoria das aprendizagens dos alunos em Matemática»

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Autoria do «Grupo de Trabalho de Matemática» (Desp. 12530/2018)
 
A Sociedade Portuguesa de Matemática criticou desde a primeira hora a constituição deste grupo de trabalho, tanto pelo caráter pouco representativo da comunidade científico-pedagógica dos seus membros como pelo facto de ser dirigido pelo coordenador do Programa de Matemática A de 1997 (reformulado posteriormente em 2001/02), revogado em 2015 aquando da implementação do Programa e Metas Curriculares – Matemática A por conter insuficiências científicas e pedagógicas amplamente reconhecidas como nefastas por um grande número de instituições idóneas.
 
Dificilmente uma equipa com estas características conseguiria fazer um estudo técnico objetivo, o que se veio infelizmente a confirmar. Esta falta de objetividade fica clara nos seguintes pontos factuais:
 
1. Uma análise revisionista que omite pontos fundamentais
 
Nunca em Portugal um Programa do Secundário foi tão criticado pelas suas insuficiências científicas e pedagógicas como o Programa do Secundário de 1997, reformulado logo de seguida em 2001-02 sem melhorias significativas. Pela primeira vez na história recente do ensino no nosso país, um grande número de instituições - incluindo algumas das melhores universidades do país - emitiram pareceres oficiais sobre aquelas propostas de currículo para Matemática A. Contudo, embora este grupo de trabalho se tenha proposto rever de forma sistemática o histórico do ensino da Matemática, todos os documentos que deram conta desses factos, isto é, dessas insuficiências científicas e pedagógicas, fundamentais para se compreender a evolução do Ensino da Matemática em Portugal nos últimos anos - incluindo as razões da revogação deste programa em 2015 - estão sistematicamente ausentes do estudo agora realizado pelo “Grupo e Trabalho de Matemática”. Destacamos a título de exemplo os seguintes elementos, sendo certo que muitos outros pareceres e artigos de opinião de mais autores poderiam ser igualmente citados:
 
a. Critérios de Elaboração de programas de matemática do 7.º ao 12.º ano, Instituto de Inovação Educacional, Eduardo Marques da Sá, Isabel Seruca dos Reis, Miguel Ramos e Jorge Pato, 1998.
 
Trata-se da análise dos programas existentes em Portugal e em alguns países estrangeiros e da apresentação de um conjunto de recomendações para a futura elaboração de programas de Matemática, assunto central do estudo em apreço.
 
Na apreciação do programa de Matemática A do Secundário de 1997, pode ler-se, por exemplo: «No Anexo I encontrámos várias matérias de modo pouco organizado, muito impreciso e com erros graves. Isso pode comprometer a consecução dos referidos objectivos, pelo convite implícito à falta de rigor que é feito a quem lê o programa e a quem o concretiza. (...) temos muitas dúvidas quanto à profundidade de tratamento dos temas.» (p. 29); «detectámos inúmeros deslizes, ambiguidades, frases pouco claras (...) ocorrência de diversos erros graves (...) um texto de não muito boa qualidade no aspecto gramatical (...). A organização é pouco clara e um tanto desequilibrada (...) incoerências locais numerosas, que prejudicam fortemente uma análise da coerência global do texto (...)» (p. 32).
 
A ausência deste documento no estudo é ainda mais incompreensível se atendermos ao facto de um segundo documento destes autores, também encomendado pelo Instituto de Inovação Educacional e relativo à elaboração de manuais escolares, se encontrar, esse sim, na bibliografia do estudo. (Critérios de elaboração de manuais escolares e guiões para professores de Matemática, do 7.º ao 12.º ano, 1999).
 
 
Veja o parecer completo aqui.
Publicado/editado: 30/10/2019