Comentário sobre a prova de aferição de Matemática do 2.º ano - 19 de junho

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A Sociedade Portuguesa de Matemática considera que o que está em causa na recente polémica em torno da prova de aferição de Matemática do 2.º ano de escolaridade, realizada ontem, dia 19 de junho, não é a distribuição de conteúdos sobre que versa (o seu conjunto mostra-se equilibrado) mas sim o nível de complexidade geral que é demasiado elevado e que evidencia um desalinhamento relativamente aos referenciais em vigor – o Programa e Metas Curriculares do 1.º Ciclo. Estas polémicas continuarão a surgir por terem raiz em algo bem mais profundo e estrutural: a aplicação de uma prova inútil que nem o próprio Ministério parece saber para que serve ou o que com ela pretende realmente avaliar e “aferir”, se conteúdos essenciais ou se desempenhos de nível superior.


A Sociedade Portuguesa de Matemática insta o Ministério da Educação a regressar o mais depressa possível ao modelo de provas de fim de ciclo, modelo com méritos comprovados ao longo de muitos anos. A Sociedade Portuguesa de Matemática tem vindo a alertar continuadamente desde 2016 para o erro que consistiu, no Ensino Básico, na substituição de provas de final de ciclo por provas de aferição.


Por um lado, é já bem conhecido desde o início do século que este tipo de prova não consegue mobilizar o empenho e o estudo dos alunos, nem tão pouco fomentar uma aprendizagem de qualidade. Por outro, tem-se revelado profundamente ineficaz enquanto métrica de avaliação do desempenho dos alunos e das escolas. Um exemplo gritante dessa mesma ineficácia são os resultados das provas de aferição publicados em novembro de 2017 -  findos dois anos de aplicação - e que evidenciam uma aparente catástrofe no nosso sistema educativo. Ora um tal cenário encontra-se em total dissonância com aquilo que demonstram os vários indicadores robustos e reconhecidos consensualmente como fiáveis, e que denotam claríssimos progressos até 2015 (testes internacionais PISA e TIMSS, taxas de retenção, classificações internas das escolas…). Por essa altura, a SPM sublinhou que perante um indicador quantitativo que assinalava tendências contrárias a todos os outros seria prudente verificar a adequação das provas, bem como se a sua análise poderia ser conclusiva em temos dos verdadeiros desempenhos dos alunos.
 

Publicado/editado: 20/06/2018